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Para tenhamos vida em seu Nome

27/04/2014

Chegada, pois, a tarde daquele dia, o primeiro da semana, e cerradas as portas onde os discípulos, com medo dos judeus, se tinham ajuntado, chegou Jesus, e pôs-se no meio, e disse-lhes: Paz seja convosco.
E, dizendo isto, mostrou-lhes as suas mãos e o lado. De sorte que os discípulos se alegraram, vendo o Senhor.

Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Paz seja convosco; assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós.

E, havendo dito isto, assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo.
«queles a quem perdoardes os pecados lhes são perdoados; e àqueles a quem os retiverdes lhes são retidos.
Ora, Tomé, um dos doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus.
Disseram-lhe, pois, os outros discípulos: Vimos o Senhor. Mas ele disse-lhes: Se eu não vir o sinal dos cravos em suas mãos, e não puser o meu dedo no lugar dos cravos, e não puser a minha mão no seu lado, de maneira nenhuma o crerei.

E oito dias depois estavam outra vez os seus discípulos dentro, e com eles Tomé. Chegou Jesus, estando as portas fechadas, e apresentou-se no meio, e disse: Paz seja convosco.
Depois disse a Tomé: Põe aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos; e chega a tua mão, e põe-na no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente.

E Tomé respondeu, e disse-lhe: Senhor meu, e Deus meu!

Disse-lhe Jesus: Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram.
Jesus, pois, operou também em presença de seus discípulos muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro.

Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.

João 20:19-31

Na tarde após receberem por intermédio de Maria de Magdala a notícia que o Senhor havia ressuscitado, o que fizeram os discípulos?

Por medo dos judeus eles se trancaram, se reuniram a portas fechadas!

Eles haviam pela manhã recebido a noticia que nos inspira até os dias de hoje, mas não saíram em festa, eles se trancaram, se fecharam.

Parece difícil de entender, mas não é tanto. Até alguns dias antes eles estavam com Jesus, faziam planos de seu reinado, mas tudo desmoronou o mundo deles acabou quando Jesus foi preso e crucificado.

Obviamente eles não haviam acreditado na fala de Maria de Magdala, eles estavam desiludidos.

A prova que eles não acreditavam está na fala de Tomé, pois afinal de contas Tomé leva a fama, mas os demais só acreditaram quando e porque viram Jesus.

Olhando desta forma fica mais fácil entender a reação dos discípulos, afinal quantas vezes não nos sentimos desta forma?

Quando nossos planos são frustrados por algum motivo, ou quando deixamos de ter em nosso convívio alguém querido.

Muitas vezes nossa reação é nos fecharmos, nos trancarmos em nós mesmos.

E nestas horas não adiantam palavras de consolo, caímos em uma profunda depressão. O lugar onde nos fechamos é como um recinto sem maçaneta pelo lado de fora, apenas nós temos condições de abrir a porta, mas não temos força ou achamos que não temos.

Sabem aquelas momentos em que tudo ao nosso redor parece ter desmoronado?

Todas a segurança, tudo aquilo que nos dava firmeza para ficar e pé e prosseguir cai por terra. Assim estavam os discípulos.

Quando então Jesus entra se coloca no meio deles e diz, “a Paz seja convosco”.

E dizendo isto lhes mostra as mãos e o lado, com isto prova aos discípulos o que ele havia passado. E eles se alegram.

O Senhor realmente havia voltado!

Mas de que forma isto pode nos ajudar hoje?

Por acaso Jesus vai agora aparecer para mim em meus momentos de fraqueza, de solidão e desespero?

Quando eu choro a portas fechadas, verei Jesus entrar e dizer “a paz seja contigo”?

Não sei se isto vai acontecer, acho pouco provável.

Contudo acredito que não seja esta a mensagem do evangelho.

Digo, Jesus não precisa aparecer para nós de forma sobrenatural, não é esta a realidade em que vivemos.

Também não estou dizendo que ele não poderia aparecer, mas isto não faria sentido algum. Vejamos as próximas palavras do Mestre.

“A paz seja convosco, assim como o Pai me enviou eu também vos envio”.

Jesus enviou os discípulos, Ele nos envia!

A presença dEle se faz em nossas vidas, quando somos nós seus representantes.

Por isto logo em seguida Ele sopra sobre os discípulos e diz “recebam o Espírito Santo aqueles a quem perdoarem os pecados lhes serão perdoados, aqueles a quem retiveram são retidos”.

Nisto Jesus não está dando o poder sobrenatural de perdão dos pecados aos apóstolos, o perdão dos pecados é graça de Deus, e é para todos. Pelo sacrifício de Jesus todos nossos pecados foram perdoados.

Mas nossas consciências continuam sempre nos atormentando. Ela nos culpa por nossos erros. E quanto mais nos sentimos culpados, mais usamos o espelho, ou seja refletimos no outro aquilo que nos incomoda. Freud vai chamar isto de ato falho.

Em outras palavras, aquilo que mais criticamos no outro é em geral aquilo que nos incomoda em nós mesmos.

Por isto perdoar o outro libera do pecado, pois libera a nós mesmos da nossa própria condenação.

Mas perdoar neste sentido vai mais longe do que nosso entendimento da palavra perdoar.

Vou tentar ilustrar um pouco; as pessoas em geral não gostam muito de ver pessoas machucadas, não gostamos de ver sangue, a não ser os profissionais que por razão do ofício já se acostumaram com esta visão. Mas ver sangue nos ofende, sim ofende muitos chegam até a sentir dor.

Mas eu disse que pessoas por razões profissionais se acostumam com isto, bom as que se acostumam, passam a ter sua consciência amortecida neste sentido, como a mão do lavrador que de tanto capinar tem as mãos calejadas e o cabo da enxada não lhe fere mais. Mas existe outra categoria, os cuidadores que fazem não por profissão, mas por amor. Para estes, não é a consciência que fica amortecida, mas a ofensa causada pelo sangue do outro é perdoada pelo cuidado que este dedica ao doente.

Não estou dizendo que um profissional não possa também ser um cuidador, mas apenas que aquele que o faz apenas por encargo do trabalho processa isto de maneira diferente.

Da mesma forma, a pobreza do outro também nos ofende, pois ele é como uma sombra de algo que temos medo. Da mesma forma que do doente.

O medo que o mal nos sobrevenha ou que os bens nos faltem. No caso da pobreza os bens materiais mesmo.

Mas da mesma forma que o cuidador de doentes ou machucados perdoa a visão que lhe traz medo do mal lhe sobrevir tratando daquele que sofre, as pessoas que ajudam os necessitados também os perdoam por lhe trazerem o medo que os bens lhes faltem. E este perdão lhes alivia de suas próprias ansiedades.

Pois as maravilhas de Jesus não pararam somente naquilo que vemos nos evangelhos, mas ela continua acontecendo em nossas vidas.

Por isto este trecho termina dizendo;

“Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.”

Saber não é viver

12/04/2014

Quando se aproximaram de Jerusalém e chegaram a Betfagé, ao monte das Oliveiras, enviou Jesus dois discípulos,
dizendo-lhes: Ide à aldeia que está em frente de vós, e achareis logo uma jumenta presa, e com ela um jumentinho: desprendei-a, e trazei-mos.
Se alguém vos disser alguma coisa, respondei-lhe que o Senhor precisa deles; e logo deixará trazê-los.
Ora isto aconteceu, para se cumprir o que foi dito pelo profeta:
Dizei à filha de Sião: Eis que vem a ti o teu rei, Manso e montado em uma jumenta, E em um jumentinho, filho de jumenta.
Indo os discípulos, fizeram como Jesus lhes ordenara;
trouxeram a jumenta e o jumentinho, puseram sobre eles as capas, e fizeram-no montar.
A maior parte da multidão estendia as suas capas pela estrada, e outros cortavam ramos de árvores e os espalhavam no caminho.
As turbas que lhe precediam e as que o seguiam, clamavam: Hosana ao filho de Davi! Bendito aquele que vem em nome do Senhor! Hosana nas maiores alturas!
Ao entrar ele em Jerusalém, agitou-se a cidade inteira, perguntando: Quem é este?
A multidão respondia: Este é Jesus, o profeta de Nazaré da Galiléia.
Mateus 21:1-11

 

Quem é este?

Ô perguntinha!

Instantes antes Jesus diz aos discípulos para irem a aldeia e pegar um jumentinho, e que se alguém perguntasse a eles alguma coisa, bastaria dizer que o Senhor precisa dele.

E assim foi feito.

O que aconteceria se alguém, quem quer que fosse mandasse um de seus assistentes ir a um determinado local e pegar um carro, digamos um carrinho popular que seja. E se perguntassem a ele , ele deveria dizer que o ciclano precisa dele.

Aliás vamos melhorar o exemplo, digamos que a presidente Dilma enviasse um assessor para esta tarefa, o que aconteceria com o tal assessor? Será que ele voltaria com o carro?

Acho que a presidente teria que ir busca-lo numa delegacia.

Talvez se a própria presidente fosse, a pessoa lhe entregaria o carro, mas dificilmente a um desconhecido assessor.

Esta questão ocorre para se cumprir a profecia feita em Zacarias, porém ela mostra também um grande reconhecimento pelo Senhor.

Se é assim, como alguém poderia perguntar “quem é este”?

Com certeza trata-se de uma deixa para a aclamação, com a multidão dando resposta; “Este é Jesus, o profeta de Nazaré da Galiléia!”.

Que reconhecimento magnífico!

Reconhecimento com o qual cada um de nós sonha, e não adianta se fazer de humilde, todos sonham com o reconhecimento. Obviamente sonhar, desejar o reconhecimento tem seus níveis, e no mais elevado, torna-se psicopatológico. Ou seja um distúrbio psicológico.

O que diga-se de passagem também estamos sempre beirando esta tênue linha entre a sanidade e a insanidade.

Muitas vezes, queremos justificar de tal forma a nós mesmo, pela condição social que estamos desempenhando, seja familiar, profissional, ministerial, etc. Que nos tornamos como o personagem Roquentin de Satre em seu livro Naúsea.

Ronquentin, ao se tornar garçom acredita de tal forma que é um garçom que se torna um verdadeiro ator canastrão representando um garçom.

Nossa condição humana é de tal forma frágil, que seja no modesto posto de garçom, ou de um alto executivo, político, lider, etc. Passamos a ser não mais aquilo que somos mas nos reduzimos ao papel que desempenhamos. E a menor ameaça ao nosso Status, ficamos melindrados.

Imaginemos que nós estamos no papel de Jesus, e alguém perguntasse;

Quem é este?

Possivelmente ficaríamos no mínimo desgostosos por alguém não nos ter reconhecido.

Mas é assim também em relação a críticas, ou obstruções aos nossos desejos. Sim desejos pois mais do que nunca, o papel de desejantes é o nosso principal.

Mas o desejo é algo complexo, lidar com ele é complicado pois só desejamos aquilo que nos falta.

Obviamente o consumo passa por isto e trata-se de um tema muito presente em nossas meditações, mas desta vez o evangelho trata mais da vaidade.

E a trata de forma anterior e posterior.

Pois o Senhor aquele que é o rei dos judeus, o messias, entra não em um poderoso corcel, mas em um humilde jumentinho, cria de uma jumenta.

Ele é aclamado pelo povo!

Mas nós sabemos que isto é uma preparação para o que há de vir.

Hoje é domingo de ramos, hoje louvamos ao Senhor e o aclamamos.

Só que sabemos o que há de vir.

E talvez este seja o ponto, sabemos mas o convite agora não é para o saber, mas para o viver.

Nós próximos dias teremos a semana santa, e Jesus chegará ao ápice de seu ministério.

Então o convite é que tratemos de nossas ânsias, de nossas vaidades da mesma forma que o Senhor.

Não montemos em grandes cavalos para nosso reconhecimento, mas em um jumentinho pois nossos pés estarão mais próximos do chão.

E que sejamos sabedores que se proclamamos Jesus como nosso Senhor, se queremos ser discípulos do Mestre, então o caminho é este que temos que viver durante a semana que segue.

Não será a glória que justificará nossa vida.

Mas o martírio, que para Jesus foi a cruz e para nós o que está posto é o testemunho. 

Quando a noite chegar ninguém mais poderá fazer (quarto domingo da quaresma)

30/03/2014

Jesus, ao passar, viu um homem cego de nascença.
Perguntaram-lhe seus discípulos: Mestre, quem pecou para que este homem nascesse cego, ele ou seus pais?
Respondeu Jesus: Nem ele pecou nem seus pais, mas isto se deu para que as obras de Deus nele sejam manifestas.
É necessário que façamos as obras do que me enviou, enquanto é dia; vem a noite, quando ninguém pode trabalhar.
Estando eu no mundo, sou a luz do mundo.
Tendo assim falado, cuspiu no chão e, fazendo lodo com o cuspo, aplicou-o aos olhos do cego,
dizendo: Vai lavar-te no tanque de Siloé (que quer dizer, Enviado). Ele foi, lavou-se e voltou com vista.
Então os vizinhos e os que dantes o conheciam de vista, como mendigo, perguntavam: Não é este o que se assentava para mendigar?
É ele mesmo, respondiam uns; não é, mas é parecido com ele, diziam outros. Porém ele dizia: Sou eu mesmo.
Perguntaram-lhe, pois: Como te foram abertos os olhos?
Respondeu ele: Aquele homem chamado Jesus fez lodo, ungiu-me os olhos e disse-me: Vai a Siloé e lava-te; então fui, lavei-me e fiquei vendo.
Eles lhe perguntaram: Onde está ele? Respondeu: Não sei.
Levaram aos fariseus o que fora cego.
João 9:1-13

Injuriaram-no e disseram: Discípulo dele és tu; mas nós somos discípulos de Moisés.
Nós sabemos que Deus falou a Moisés, mas este não sabemos donde ele é.
Respondeu-lhes o homem: É maravilhoso que não saibais donde ele é; contudo ele me abriu os olhos.
Sabemos que Deus não ouve a pecadores; mas se alguém temer a Deus e fizer a sua vontade, a este ele ouve.
Desde que há mundo, nunca se ouviu que alguém abrisse os olhos a um cego de nascença.
Se este homem não fosse de Deus, nada poderia fazer.
Eles lhe replicaram: Tu nasceste todo em pecados, e tu nos estás ensinando? E lançaram-no fora.
Soube Jesus que o haviam lançado fora e, encontrando-o, lhe perguntou: Crês tu no Filho do homem?
Quem é ele, Senhor, para que eu creia nele? respondeu-lhe o homem.
Disse-lhe Jesus: Já o viste, e é ele quem fala contigo.
Ele disse: Creio, Senhor; e o adorou.
João 9:28-38

 

Jesus estava passando e quando vê um cego de nascença seus discípulos fazem a pergunta, “Mestre quem pecou para que este homem nascesse cego, ele ou seus pais?”.

O texto que lemos é longo e somente neste trecho já temos muito assunto para meditar.

Comecemos nos indagando, por que a frase é formada desta forma? Parece haver uma certa incoerência entre a afirmação do primeiro parágrafo em relação à interrogação que se segue.

O texto não diz que Jesus e seus discípulos veem o cego, mas que Jesus vê o cego.

Note se eu e você estivermos caminhando e uma frase afirmar que você viu o cego, subentende-se que eu não vi. Por esta lógica, podemos imaginar que os discípulos não o viram.

Então por que os discípulos fazem a pergunta?

Guardemos isto e vamos prosseguir.

A pergunta dos discípulos, sobre a culpa da cegueira de nascimento ser culpa dele ou de seus pais, traz mais questões, mas antes cabem alguns esclarecimentos.

A questão dos pecados dos pais serem causa para problemas dos filhos fazia parte da religiosidade dos judeus daquela época. E infelizmente muitas igrejas hoje em dia querem seguir esta linha, falando em maldição familiar ou ancestral. Só por que no antigo testamento temos várias passagens a este respeito, mas eu não vou me dar ao trabalho de cita-las.

Porém por mais absurda que seja, vamos pensar um pouco sobre isto.

Hoje sabemos que existem muitas doenças hereditárias, para nós isto é uma questão genética. Diabetes, problemas cardíacos, de visão, etc. Mas sabemos também que isto não tem nada a ver com “pecado”. Porém naquela época a ocorrência destes males em várias gerações de uma família podia ser entendido como uma maldição. O que de certa forma viria a colaborar com o aprimoramento genético, afinal as chances de uma filha de uma família destas conseguir se casar e ter filhos iria diminuir consideravelmente, uma vez que esta família ficaria estigmatizada.

Eu disse filha? Sim afinal sabemos que se trata de uma sociedade patriarcal e quem passa por dificuldades neste caso em geral são as mulheres, apesar que no caso dos cegos, e outros deficientes físicos, também deveria ser difícil arranjar uma parceira.

Que coisa horrível eu estou dizendo, então naquela sociedade haveria uma o preconceito contra os deficientes? Sim óbvio, não somente naquela mas em todas as sociedades da antiguidade, trata-se da seleção natural, da mesma forma que entre os animais sobrevivem e procriam somente os mais aptos.

Hoje isto não é mais admitido, pelo contrário nossa sociedade tem respeito pelo deficiente e pelos doentes.

Hummm será que tem mesmo? Quantos exemplos temos ainda de desrespeito com os deficientes e doentes.

De qualquer forma o fato de considerarmos determinadas situações como desrespeito ou mesmo abandono já é uma certa diferença em relação à situação daquela época, onde se pensava que a culpa da doença seria um pecado cometido pelos sujeito ou por seus ancestrais.

Hoje procuramos curas, buscamos amparar, enfim em geral não é considerado civilizado o abandono destas pessoas e muito menos culpar a elas ou a seus pais pela sua situação.

Mas vejam que coisa interessante, olhando de forma objetiva estamos de certa forma “piorando” a humanidade com isto, ao burlarmos a seleção natural e dando condições de vida aos doentes, também fazemos com que sua herança genética sobreviva.

Por que buscamos isto?

Oras, porque temos condições, os avanços da medicina nos permitem isto. Simplesmente isto.

Afinal, nos povos mais menos “avançados” onde as inovações da medicina ainda não foram compreendidas ou extendidas é comum deixar os que nascem com problemas congênitos para morrer.

Mas a pergunta ainda fica, por que a humanidade procura a cura para estes problemas se o mais “lógico” seria deixar que a natureza seguisse seu curso e fizesse esta “limpeza” em nossos genes?

Para nós cristãos a resposta talvez esteja em nossa primeira pergunta sobre este trecho do evangelho.

Jesus viu o cego e os discípulos fizeram a pergunta. Ou seja quem nos faz olhar para o outro, é Ele, Jesus vê o outro e quando estamos ligados a Ele, nós passamos a ver o outro que sofre.

Esta é a espiritualidade proposta por Jesus, olhar o outro sentir sua dor.

E enquanto nós procuramos culpados, como fizeram os discípulos, chegando até mesmo por a culpa naquele que sofre, Jesus diz apenas que não se trata de culpa.

As dores deste mundo estão ai, mas apesar delas ou mesmo por elas pode-se manifestar a obra de Deus.

Jesus cura o cego de nascença, Ele suja suas mãos com barro e esfrega nos olhos do cego. Será que isto era necessário? Foi o barro que curou ou foi o poder de Deus?

Se foi o poder de Deus, nenhum barro seria necessário, contudo isto pode nos trazer a figura de que ter compaixão, estender a mão ao próximo não é apenas dar do que nos sobra, mas colocar a mão na massa, ser ativo fazendo o bem.

Edmund Burke já dizia.

“Para que o mal triunfe, basta que os homens bons não façam nada.”

E como se isto não bastasse, o próprio evangelho reforça;

“É necessário que façamos as obras do que me enviou,”

Mas fazer o bem neste mundo não é fácil.

Vemos na sequencia do texto, que os fariseus queriam pegar Jesus, tentavam a todo custo difamá-lo.

Sim fazer o bem, neste mundo não é fácil.

Em nossa história temos vários exemplos de quão difícil é simplesmente querer viver em harmonia.

Um deles foi o que aconteceu entre 1896 e 97 no nordeste do Brasil, quando o beato Antônio Conselheiro e seus seguidores perseguidos pelo estado e pela igreja, vão para o agreste, e as margens do rio Vaza Barris, na fazenda de Canudos, constroem o vilarejo de Belo Monte, onde se pretendia viver uma sociedade mais justa e igualitária. Esta ideia agradou muitas daquelas pessoas que viviam em extrema miséria e eram explorados tanto pelos latifundiários como pela igreja. Agradou tanto que em cerca de 3 anos o vilarejo já contava com 25 mil habitantes.

Mas abrigar os miseráveis e desvalidos, dar uma opção de vida diferente não era aceitável, por isto aconteceu a Guerra de Canudos. Armou-se através de um embargo da madeira comprada por Conselheiro para construir a nova capela, a desculpa para destruir o vilarejo. O que após 3 tentativas frustradas aconteceu, e em 1897 Canudos foi destruída por intenso fogo de canhões.

Isto é fato histórico de certa forma fácil de notar, apesar que mesmo assim podem haver diversas interpretações.

Quero dizer que ao analisar os fatos passados, é um pouco mais simples do que o presente.

O exemplo que vou dar é chocante, mas esta semana o coronel da reserva Paulo Magalhães foi o primeiro torturador da ditadura militar a confessar seus crimes, sem demonstrar nenhum sentimento de culpa, aquele homem contou como torturava, matava e sumia com os corpos de suas vítimas. Ele acredita que estava cumprindo seu dever, ele acredita que estava fazendo o “bem”!

Pode parecer e é absurdo, mas basta olhar ao redor e ver o número de pessoas que hoje dizem que os “tempos da ditadura” eram melhores, para entender que esta visão distorcida ainda existe.

Obviamente as pessoas que apoiam até o retorno da ditadura militar não estão dizendo que querem o retorno da tortura, eles acreditam que naquela época havia mais segurança e menos corrupção. Porém não enxergam que esta dita segurança, se é que se pode dizer que havia afinal para começo de conversa tínhamos uma população muito menor, cerca de 70 milhões de habitantes contra mais de 200 milhões hoje, além do que ainda havia uma sociedade de necessidades e não de desejos. Se havia segurança, seria talvez por uma extrema violência que não se via. Da mesma forma que a corrupção também.

– Mas o que fazer? Estamos com medo da violência e revoltados com o estado de coisas?

Podem dizer os que porventura tenham saudades ou mesmo apoiem o retorno da ditadura militar.

Então Jesus responde;

Crês no filho do homem?

Ele é o que fala conosco agora.

Então vamos adora-lo.

Jesus não tortura pessoas, não as mata e nem as lança fora.

Jesus nos diz para fazermos as obras daquele que lhe enviou enquanto é dia, pois a noite chega.

Façamos com que ele esteja no mundo, para que seja a luz do mundo.

Façamos agora enquanto é dia, pois quando a noite chegar, ninguém mais poderá fazer. 

Deus é espírito; é necessário que os que o adoram, o adorem em espírito e em verdade

20/03/2014

5 Chegou, pois, a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, perto das terras que Jacó deu a seu filho José;

6 era ali a fonte de Jacó. Cansado da viagem, estava Jesus assim sentado ao pé da fonte; era cerca da hora sexta.

7 Uma mulher da Samaria veio tirar água. Disse-lhe Jesus: Dá-me de beber.

8 Pois seus discípulos tinham ido à cidade comprar alimentos.

9 Disse-lhe, então, a mulher samaritana: Como, sendo tu judeu, pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana? Os judeus não se comunicam com os samaritanos.

10 Respondeu-lhe Jesus: Se tivesses conhecido o dom de Deus, e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu lhe terias pedido, e ele te haveria dado água viva.

11 Ela lhe respondeu: Senhor, não tens com que a tirar, e o poço é fundo; donde, pois, tens essa água viva?

12 És tu, porventura, maior que nosso pai Jacó, que nos deu este poço, do qual ele bebeu, e seus filhos e os seus gados?

13 Replicou-lhe Jesus: Todo o que bebe desta água, tornará a ter sede;

14 mas quem beber da água que eu lhe der, nunca mais terá sede; pelo contrário a água que eu lhe der, virá a ser nele uma fonte de água que mana para a vida eterna.

15 Disse-lhe a mulher: Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede, nem venha aqui tirá-la.

16 Disse-lhe ele: Vai, chama teu marido e vem cá.

17 Respondeu a mulher: Não tenho marido. Replicou-lhe Jesus: Disseste bem que não tens marido;

18 porque cinco maridos tiveste, e o que agora tens, não é teu marido; isto disseste com verdade.

19 Senhor, disse-lhe a mulher, vejo que tu és profeta.

20 Nossos pais adoraram neste monte; e vós dizeis que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar.

21 Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-me, a hora vem em que nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai.

22 Vós adorais o que não conheceis, nós adoramos o que conhecemos, pois a salvação vem dos judeus.

23 Mas a hora vem e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores.

24 Deus é espírito; e é necessário que os que o adoram, o adorem em espírito e em verdade.

25 Eu sei, respondeu a mulher, que vem o Messias (que se chama Cristo); quando ele vier, anunciar-nos-á todas as coisas.

26 Disse-lhe Jesus: Eu o sou, eu que falo contigo.

Jo 4. 5.26

 

Jesus, chega e conversa com a samaritana.

 

Ela se espanta em um judeu falar com ela, afinal os judeus não se dirigiam aos samaritanos.

 

Mas Jesus falar com os rejeitados não é nenhuma novidade.

 

Apesar de que muitas vezes parece que nós, auto-proclamados seus seguidores nunca conseguimos entender isto direito. Ao longo da história e até nos dias de hoje, muitas vezes a igreja e seus membros parecem não aceitar muito bem esta história de Jesus não fazer diferença entre pessoas, ou melhor não discrimina-las.

 

 

 

Como como estávamos verificando Jesus fala com a samaritana.

 

Inicialmente ele fica desconfiada, aliás por que não ficaria? O cara parece até que está tentando passar o conto do vigário.

 

Primeiro lhe pede água, depois vem como uma conversa de água viva? E que bebendo daquela água nunca mais teria sede!

 

Oras convenhamos, além de um conto do vigário é bem chinfrim, afinal se ele tem esta água viva, se bebeu dela para que estava pedindo água para ela? Conversa sem pé nem cabeça.

 

Eu teria mandado o cara catar coquinho, pois bem se via que não passava de um vigarista.

 

Todavia a história tem que continuar, ela pede para que ele lhe dê da água viva para que ela nunca mais tenha que voltar ao poço.

 

Então começa a sessão vidência.

 

Ele diz a ela que vá chamar o marido, mas já sabia a resposta pois conhecia toda a vida pregressa daquela sofrida mulher.

 

 

 

Vamos olhar isto tudo com um foco diferente, deixemos de lado a questão da vidência e pensemos no seguinte;

 

Jesus conhecia a história daquela mulher, ele mostra que sempre teve cuidado com ela. Mas cuidado não quer dizer que interferiu na vida dela, mas que se importa com ela.

 

Esta história pode ser vista pelo prisma do cuidado.

 

Ela começa com o cuidado que aquelas pessoas tinham com aquele ṕoço, afinal eles sabiam do valor que a água tinha. Valor que ao que tudo indica nós pessoas do século XXI não conhecemos.

 

Aliás a situação pela qual nossa cidade passa agora é bem o retrato disto, se valorizássemos a água como aquelas pessoas, com certeza não estaríamos na situação que estamos.

 

A cidade de São Paulo, bem como muitas outras que dependem do complexo Cantareira está para passar mais bocados por falta d’água. Nós poluímos nossos rios e represas, desperdiçamos a água de forma irresponsável, e agora vamos pagar o preço.

 

Hoje 1,7 bilhões de pessoas não tem acesso ao saneamento básico, e destas todo ano morrem mais de 2,2 milhões por sede ou doenças como diarreia por consumir água contaminada. E até 2025 acreditasse que dois terços da população do mundo não terão mais acesso a água potável.

 

 

 

Pois é devíamos nos espelhar no cuidado que aquelas pessoas tinham com sua água.

 

 

 

Mas a proposta de Jesus vai além do poço!

 

Ele afirma que todo aquele que beber de sua água, virá a ser uma fonte que mana vida eterna!

 

Que proposta maluca!

 

Só que a água a qual Jesus se refere não é aquela composta simplesmente por dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio, é outra coisa, e a pista está em ser uma fonte.

 

Jesus sai do conceito da propriedade do poço. Ele estende o cuidado para além do objeto.

 

Quando é questionado sobre o local de culto, no monte ou em Jerusalém, Jesus afirma que os adoradores que o Pai procura são aqueles que o fazem em espírito e em verdade. Não há mais um lugar para o culto, apenas a verdade e o espírito.

 

E o espírito quer nos abrir os olhos para ver a verdade, a verdade do que fazemos com nosso mundo e com nosso próximo. Pois sempre que devastamos o mundo, o primeiro a pagar o preço é sempre aquele que menos se beneficia de nossos “progressos”. As pessoas que hoje passam sede, não tem um smartphone ou notebook em suas mãos, elas não andam de carro, não tem televisores de tela plana, ou qualquer um dos nossos objetos de desejo. Aliás sequer comida aparece direito em suas mesas. Mas podemos ter certeza que a satisfação de nossos desejos é a grande responsável pela situação em que elas se encontram.

 

Mas como nunca podemos parar, temos sempre que estar nos desenvolvendo, hoje a tragédia bate também em nossas portas. Ou seja para que cada vez menos pessoas tenham mais, cada vez mais pessoas terão menos.

 

Esta é a lógica perversa que criamos.

 

Um sistema onde as mercadorias tem que circular cada vez mais e mais rápido, para que o capital possa girar e gerar “riquezas”. Só que a lógica deste jogo é o da acumulação, por isto a conta nunca fecha. O sistema sempre entra em crise, e quando ele entra em crise quem paga a conta são os que menos tem. Como já dizia, acredite se quiser, Delfim Neto!

 

“O capitalismo no fim das contas sempre precisa do socialismo, pois os lucros são privados mas os prejuízos são socializados.”

 

Olhe que coisa doida, criamos um sistema que visa a acumulação, ele depende da circulação porém seu objetivo é a acumulação. E Jesus a mais de 2 mil anos atrás disse que se bebessemos de sua “água” iríamos ser fontes de água viva!

 

Com um eco de 2 mil anos ele nos mostra que o caminho é oposto! Que o jogo não deve ser de sorver todos os recursos, mas ser fonte de água viva!

 

Trocando em miúdos, temos capacidade hoje para atender as necessidades de todos os seres humanos do mundo, e mais atender as necessidades e cuidar do mundo.

 

Vejam eu disse necessidades, não desejos.

 

Podemos produzir coisas que durem a vida toda ou quase, mas produzimos coisas que durem o mínimo possível para que sejam sempre trocadas. Seja porque quebraram ou pois estão desatualizadas, fora de moda, etc.

 

É preciso urgente mudar o paradigma, é preciso virar o jogo, é preciso atender as necessidades e não criar desejos.

 

É difícil eu sei, somos educados desde a mais tenra idade a desejar, se a educação formal tem fracassado em formar pessoas pensantes, a educação da publicidade tem cada vez mais exito em formar consumidores.

 

Mas é possível, olhem ao redor e verão inúmeras iniciativas que apontam para o caminho que pode nos tornar adoradores do Pai em Espírito e em Verdade.

 

Existe uma enorme rede se formando por todo o globo em busca de uma Economia Solidária.

 

Vamos nos informar, vamos participar.

 

 

 

Pois se queremos ter um futuro, temos que fazer o que nos diz nosso Senhor.

 

 

 

Deus é espírito; e é necessário que os que o adoram, o adorem em espírito e em verdade”

 

Individualismo

01/03/2014

Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, irmão de Tiago, e os levou, em particular, a um alto monte.
Ali ele foi transfigurado diante deles. Sua face brilhou como o sol, e suas roupas se tornaram brancas como a luz.
Naquele mesmo momento apareceram diante deles Moisés e Elias, conversando com Jesus.
Então Pedro disse a Jesus: “Senhor, é bom estarmos aqui. Se quiseres, farei três tendas: uma para ti, uma para Moisés e outra para Elias”.
Enquanto ele ainda estava falando, uma nuvem resplandecente os envolveu, e dela saiu uma voz, que dizia: “Este é o meu Filho amado em quem me agrado. Ouçam-no! “
Ouvindo isso, os discípulos prostraram-se com o rosto em terra e ficaram aterrorizados.
Mas Jesus se aproximou, tocou neles e disse: “Levantem-se! Não tenham medo! “
E erguendo eles os olhos, não viram mais ninguém a não ser Jesus.
Enquanto desciam do monte, Jesus lhes ordenou: “Não contem a ninguém o que vocês viram, até que o Filho do homem tenha sido ressuscitado dos mortos”.
Mateus 17:1-9

Jesus sobe ao monte levando desta vez Pedro, Tiago e João.

Em Mateus, subir ao monte é sempre uma deixa para alguma coisa acontecer, em Mateus 5, temos o sermão da montanha, quando Jesus explica para uma multidão, as coisas que podem ser tidas como o cerne de seu evangelho.

Depois da primeira multiplicação dos pães, Jesus sobe ao monte para orar sozinho, a segunda multiplicação se dá em Mateus 15, agora depois que Jesus sobe o monte, com multidões ou sozinho ele sobe ao monte, mas desta vez ele leva 3 discípulos.

E nesta passagem Mateus coloca algo inusitado, uma aparição de 2 “fantasmas”!

Isto de acordo com Lucas 16, não é uma possibilidade, ou seja os mortos passarem para o mundo dos vivos.

E, além disso, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá passar para cá.
Lucas 16:26

Porém as incoerências entre uma afirmação e outra na bíblia não são nenhuma novidade, inclusive esta não acontece somente entre o evangelho de Mateus e de Lucas, uma vez que Lucas também cita esta passagem, e Marcos também.

O que dizer sobre isto?

Ao que parece, esta passagem deve ter sido escrita em Marcos que é um evangelho anterior aos outros dois, então foi copiada por eles.

Em outras palavras, relatar esta história pareceu importante demais para os 3.

Podemos fazer muitos estudos avaliando a situação histórica destas comunidades para entender o por que disto. De qualquer forma, se acreditamos que as escrituras são inspiradas por deus, então elas também nos dizem algo, no sentido de atual em relação à nossa realidade.

Jesus ficar resplandecente como o sol, se encarado como um “milagre”, me parece perder um pouco o sentido, afinal o que isto poder nos dizer? Que ele conseguia brilhar? Que ele tinha este poder? E dai?

Afinal de contas, já cremos que ele é o filho unigênito de deus, não precisamos nos maravilhar com uma coisa destas. Pode até ter feito sentido na época que foi escrito, quando diziam estas coisas sobre ele. Mas agora a coisa fica totalmente esvaziada, se quisermos podemos usando tecnologia fazer a mesma coisa.

Então vamos olhar de outra forma, usemos nossas figuras de linguagem.

Quando dizemos que alguém ficou “radiante”, não estamos dizendo que a pessoa está brilhando literalmente, mas sim que ela está muito feliz!

Jesus ficou muito feliz, pois se encontrou ou estava para encontrar com velhos e queridos amigos!

Nisto os 3 patetas, não sabendo o que falar, aliás que necessidade de falar não?

Temos uma necessidade imensa de falar, Pedro, Tiago e João tinham a sua frente Moisés e Elias conversando com Jesus! Para que falar, por que não simplesmente escutar? Quanta coisa eles poderiam aprender ouvindo este diálogo?

Particularmente eu acredito que se formos mais comedidos no falar, e mais empenhados no ouvir, podemos no mínimo ter mais propriedade no momento de falar, pois afinal teremos mais informações e tempo para meditar.

Porém nossos diálogos são em quase que monólogos, exasperados que ficamos para falar, os assuntos se atropelam e não aproveitamos o tempo com as pessoas queridas.

Falando em pessoas queridas, que coisa não?

Jesus está lá feliz da vida na companhia de Elias e Moisés, e qual a proposta dos 3 patetas?

Fazer 3 tendas, uma para cada um, assim ao invés deles aproveitarem o tempo para estarem juntos, cada um terá sua tenda.

Da mesma forma que nós hoje, cada um tem as suas coisas. Construímos uma sociedade que é um aglomerado de pessoas, mas individualistas.

Foi o grande sucesso do sistema neo-liberal, despertar desejos particulares, fazer com que cada um queira ter e manter as suas coisas.

Eu digo que foi e é o grande sucesso, pois com isto somos mais fáceis de manipular e temos muito mais dificuldade para confrontar, uma vez que o primeiro confronto é entre nós mesmos, na ânsia de manter o nosso “território”.

Não digo da individualidade, ou seja os “espaço” psíquico de cada um. Mas neste individualismo. Este desejo insano de ter coisas.

Mas deus se faz presente até no meio das mídias sociais, seu espírito não deixa de atuar, anda circulando por ai uma verdeira frase profética.

“Consumismo é comprar coisas que você não precisa com dinheiro que você não tem, para parecer quem você não é, para impressionar pessoas que você não gosta.”

E nesta batida, em nossas casas cada um tem seu computador, sua televisão, etc.

Desta forma, ao invés de aproveitarmos um tempo juntos, em família ou com amigos, cada um vai para sua “tenda”.

 

Palavras sem sentido e infantilizadoras?

16/02/2014

Sexto domingo da Epifânia

Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente.
Eu, porém, vos digo que não resistais ao mau; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra;
E, ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa;
E, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas.
Dá a quem te pedir, e não te desvies daquele que quiser que lhe emprestes.
Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo.
Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus;
Porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos.
Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo?
E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os publicanos também assim?
Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus.
Mateus 5:38-48

Dizer que este trecho do famoso sermão da montanha é difícil, seria chover no molhado.

Pior, mais do que nunca estas prescrições nos soam totalmente sem sentido.

Se pensamos na “religiosidade” que tem alcançando grande sucesso de público, onde os “fiéis” devem servir a deus através de mandamentos rígidos caso contrário serão punidos, ou ainda na entrega de dízimos e ofertas através das quais o senhor irá abençoar ricamente suas vidas, mas de forma alguma duvidar, pois neste caso a falta de fé impedirá que as bençãos lhe venham.

Aliás neste momento tenho que fazer um parêntese, pois este tipo de “religiosidade” vem causando tanto escândalo que muitas vozes vem se levantando contra a contribuição e os dízimos. Não se trata de não contribuir com a igreja, mas o porque se faz isto. Os dízimos, ofertas ou contribuições regulares não devem ser uma barganha com deus, mas uma atitude de responsabilidade dos membros da igreja. Responsabilidade para com sua igreja e sua obra.

Mas retomando o fio da meada, estas barganhas, seja no quesito financeiro ou na observância de rígidos códigos para que “deus mantenha sua mão protetora” sobre o fiel é o tipo de religiosidade infantilizadora, que Freud denuncia em seus livros Totem e Tabu e o Futuro de uma Ilusão.

O pai da psicanálise em linhas gerais, vê a religião como uma troca, uma substituição da antiga proteção dos pais, pela proteção de um deus. Por isto diz que se trata de algo infantilizador.

Porém talvez Freud não tenha sido assim tão original, digo na questão da busca de uma proteção, ainda no século XVII Thomas Robbes afirma que o pacto social é a aceitação dos indivíduos de um estado poderoso, armado e absoluto, ou seja as pessoas abrem mão parte de suas liberdades para serem protegidas por este estado. Podemos pensar então que o pacto social visto por Hobbes também é algo infantilizador. Guardadas as devidas proporções, já que este estado atua apenas no campo sensível e não espiritual, mas de qualquer forma é o ser humano consentindo sua incapacidade de convivência sem que “algo” maior, absoluto e ameaçador regule esta vida comunitária.

Hoje não vivemos mais sobre governos absolutistas, mas sim democráticos neo-liberais, ou seja existe um estado minimizado e o mercado que se auto regula buscando o enriquecimento para o bem estar de “todos”. O que sabemos ser também outra mentira.

Porém esta mentira, desta vez reforça o sentido de que apesar do “mercado” ser um ente que daria guarida a sociedade, ele também traz consigo a ideia do vencedor, ou seja as benesses maiores virão para aquele que observar os mandamentos deste ente. Acontece que fazer o que Jesus propõe nesta mensagem bate de frente contra os mandamentos deste grande ente de nossos dias, o mercado.

Vejam se antes da ideia do mercado competitivo, quando ainda vivíamos sob as condições de busca de um governo do bem estar social, era difícil seguir estas palavras, afinal na lida com o outro, fazer estas coisas foi sempre bastante difícil, agora trata-se de um verdadeiro pecado!

Hoje não se trata apenas de aceitar as ofensas ou agressões do outro, mas é até uma questão de “sobrevivência”, elimina-lo!

Só sobrevive tanto no meio empresarial, como no corporativo aquele que elimina ou no mínimo anula a concorrência.

E o que Jesus nos promete em troca disto?

O que Jesus nos dá em troca de contrariarmos a tendência de feroz competição que domina nosso tempo?

Ele diz que fazendo isto seremos filhos do Pai que está nos céus.

Em tempos tão materiais como os que vivemos, onde o que importa é o que temos e não o que somos, pior o que importa é o que parecemos ter, esta promessa nos soa extremamente infantilizadora. Sermos filhos de um pai que está nos céus.

O que significa isto para nossa subjetividade? Nada!

Sim nada.

Em outras palavras, Jesus não está nos prometendo nada.

Por isto não se trata de algo infantilizador.

Não há promessas de proteção de um ser todo poderoso, como Freud afirma, nem de uma instituição como o estado absoluto e ameaçador de Thomas Hobbes.

E pior não podemos sequer dizer que quem cumprir estas palavras irá para o céu, ou paraíso, afinal cremos que o sacrifício vicário de Jesus já nos salvou e todos, todos sem exceção são filhos de Deus e todos irão ao paraíso.

E agora?

Como fica isto? São apenas palavras bonitas para serem lidas em alguns domingos?

Bonitas porém inalcançáveis e sem sentido?

Talvez sejam sem sentido, se tratarmos nosso relacionamento com Deus dentro do sistema de barganhas, ou seja já que não teremos nada em troca, por que faze-lo?

É por isto que podemos dizer que estas palavras não são infantilizadoras, pois elas não nos remetem a nenhuma barganha.

Por outro lado trata-se de um proposta utópica, é a utopia do reinado de deus.

Obviamente não alcançaremos estas propostas em sua plenitude, afinal não somos perfeitos, ainda vivemos e precisamos destes sistemas de barganha. Mas a proposta é de um amadurecimento.

Por que amadurecimento?

Nossos pais, avós, tios e outras pessoas queridas, mesmo os mais severos em geral exerceram este tipo de papel em nossas infâncias.

Quantas vezes nós “batemos” em suas faces, fazendo coisas que os decepcionaram ou mesmo magoaram, e a reação deles foi nos dar a outra face. Ou seja uma segunda, terceira, quarta, quinta, sexta, sétima e infinitas chances.

Estas pessoas nos deram o que puderam e até o que não puderam.

Elas doavam o tempo que tinham e o que não tinham, andando conosco o tempo todo.

Nos amaram mesmo quando em nossa rebeldia juvenil os tínhamos como inimigos!

Não se trata de uma proposta infantilizadora mas de amadurecimento.

E em um mundo superpovoado e onde os recursos se esgotam, sabedoria é saber se doar.

Pois continuando a sanha insana de querer mais, logo não haverá nada para ninguém.

Talvez possamos nos salvar o dia que toda humanidade conseguir ter este olhar, não seremos mais dependentes ou parasitas do outro, mas responsáveis e cuidadores uns dos outros e todos da mãe terra.

Infelizmente não acredito que isto seja possível, racionalmente não há a menor chance de acontecer.

Mas nos resta a fé, por ela podemos crer nestas palavras, temos a esperança no impossível!

Por esta fé, mesmo que não possamos nunca ver o todo se realizar, podemos ver em vários pedaços de nossa vida o conforto e alegria de sermos filhos do pai que está nos céus.

Jesus fugiu

26/01/2014

Ao saber que João estava preso, Jesus se retira para Galiléia. E vai aos confins, isto quer dizer bem longe. Por que?

Mateus justifica a saída estratégica de Jesus, fazendo referencia a Isaías, mas sejamos práticos. Qual era a mensagem de João Batista?

Arrependei-vos pois o reino de deus está próximo!”

Correto?

Muito bem, e qual foi a pregação que Jesus começa a fazer na Galiléia?

Arrependei-vos pois o reino de deus está próximo!”

Ou seja Jesus leva a mesma mensagem que o Batista estava levando, logo Jesus foge pois se João foi preso, ele poderia ser o próximo.

Com isto estou dizendo que Jesus foi covarde?

Vejam, o povo judeu daquela época vivia sobre dupla opressão, a do próprio sistema judaico que por sua vez era submisso ao romano, ou seja as pessoas eram exploradas e oprimidas duplamente.

E cada opressor tinha suas forças coercitivas, desde a guarda do templo até as legiões romanas.

Se João que já era tido como profeta pelo povo caiu, que dirá de Jesus ainda sozinho.

Por isto Jesus foge para a periferia de Israel, na longínqua Galiléia, aliás bota longe nisto, ele vai para a periferia da periferia.

E o que ele faz?

Ele recomeça a pregação do Batista e arrebanha discípulos e seguidores.

Mas deste ponto em diante, começa algo diferente.

Jesus prega o arrependimento pois o reino se esta próximo, mas ele não se limita a isto, como fazia aparentemente João Batista, Jesus cuida das pessoas! Jesus por assim dizer exerce tanto o ministério da palavra o Presbiteral, como também o do serviço a Diaconia.

E como estamos precisando de serviço, nas últimas décadas foi construído um mundo pra-lá de perverso.

As desigualdades sociais são gritantes, o poder cada vez mais concentrado. Um mundo onde 85 pessoas tem com suas fortunas pessoais mais que 3,5 bilhões de “miseráveis”, ou seja metade da humanidade. Um sistema onde os ricos ganham não importa o que aconteça enquanto os pobres perdem sempre.

Um exemplo disto é o vem acontecendo por exemplo no velho continente, isto mesmo não estamos falando da África, América Latina ou Ásia, mas da Europa, onde com a crescente crise econômica, as 10 pessoas mais ricas de lá aumentaram suas fortunas em um valor maior que a soma de todos os pacotes econômicos de “ajuda” aos países em crise. Foram 200 bilhões de “ajuda” para as nações em dificuldade e 217 bilhões de Euros para engordar ainda mais os bolsos já biliardários. Ou quem sabe talvez triliardários, uma vez que estes números são oficiais, neles não estão os valores escondidos em paraísos fiscais. E olha que os números podem ser estarrecedores, recentemente descobriu-se um grupo de políticos chineses e seus familiares tem mais de 1 trilhão de dólares moqueados em paraísos fiscais.

Quando olhamos estes números ficamos horrorizados, mas em geral a primeira coisa que nos revolta é;

– E eu aqui com minhas contas para pagar, se tivesse 0,1% disto já estaria bem!

Jesus não era conhecido, podia ficar muito bem ai nos arredores de Jerusalém, conseguir seus bicos de carpintaria e assim viver tranquilamente das migalhas que caiam. Podia ficar quieto.

Mas não fez isto, ele foi em busca de discípulos, ao invés de vender serviços com madeira, ele ofereceu a denúncia e com ela a chance de arrependimento, ele foi dar a mão para aqueles que necessitavam, ele “vendeu” ideias e deu ajuda.

Digo “vendeu”, pois não impunha ele oferecia.

E nesta caminhada acredito devemos seguir como igreja.

Fé e justiça, são coisas que não se praticam sozinho. Aliás toda construção humana é feita com o outro. Por isto Jesus não fica sozinho, ele vai em busca de seu grupo.

Fé e justiça nos são propostas em cada palavra do evangelho de Jesus.

Não fazemos parte do “seleto” grupo dos 85 “donos” da humanidade e do planeta, por outro lado não estamos AINDA fazendo parte dos descartáveis 3,5 bilhões de pessoas, das quais quase 1 bilhão vai dormir hoje sem ter comido nada. Não temos a força dos governantes das nações e seu aparelho repressivo, forças estas que sem dúvida são submissas aos 85 poderosos.

Enfim não temos os “poderes” deste mundo.

Porém na comunhão do corpo de Cristo que é a vida em comunidade e na partilha da palavra de seu evangelho podemos receber sua força, não uma força triunfalista mas aquela que nos faz ver nossa parte no erro, e saber que estamos perdoados. E ao sermos perdoados temos a chance de mudar, e mudando receber mais força, aquela necessária para suportar este estado das coisas, suportar e não sucumbir e se deixar engolir novamente. Fortalecidos então podemos ir ao encontro do outro e da vida como um todo, em diaconia que é o serviço.

O serviço ao outro, ao mais fraco.

O serviço a denúncia profética, aquela que nos impede e ficar calados diante da injustiça, opressão e destruição.

O serviço a criação, nosso berço e nossa mãe, em cujos braços o Pai nos entregou. Uma mãe que estamos destruindo em nome de Mamon.

O que descrevi não são passos ou etapas, tudo isto acontece ou pode acontecer a todo momento em que nos deixamos tocar pelo Espírito de Deus.

Pecados contra o deus do status social

19/01/2014

Segundo domingo da Epifania – Lecionário A

No dia seguinte, João viu Jesus que vinha a ele e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.
É este de quem eu disse: Depois de mim virá um homem, que me é superior, porque existe antes de mim.
Eu não o conhecia, mas, se vim batizar em água, é para que ele se torne conhecido em Israel.
{João havia declarado: Vi o Espírito descer do céu em forma de uma pomba e repousar sobre ele.}
Eu não o conhecia, mas aquele que me mandou batizar em água disse-me: Sobre quem vires descer e repousar o Espírito, este é quem batiza no Espírito Santo.
Eu o vi e dou testemunho de que ele é o Filho de Deus.
No dia seguinte, estava lá João outra vez com dois dos seus discípulos.
E, avistando Jesus que ia passando, disse: Eis o Cordeiro de Deus.
Os dois discípulos ouviram-no falar e seguiram Jesus.
Voltando-se Jesus e vendo que o seguiam, perguntou-lhes: Que procurais? Disseram-lhe: Rabi {que quer dizer Mestre}, onde moras?
Vinde e vede, respondeu-lhes ele. Foram aonde ele morava e ficaram com ele aquele dia. Era cerca da hora décima.
André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois que tinham ouvido João e que o tinham seguido.
Foi ele então logo à procura de seu irmão e disse-lhe: Achamos o Messias {que quer dizer o Cristo}.
João 1:29-41

 

“Eis o cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo”.

O que vem a ser isto? Por que o “cordeiro de deus” tira os pecados do mundo?

Nas religiões sacrificiais, são realizados sacrifícios com o objetivo de acessar as divindades. Nós cristãos estamos tão acostumados a pensar nesta questão do pecado, na purificação que não notamos outras matizes sobre esta questão, a dos sacrifícios.

Na relação do templo de Jerusalém sim, a relação dos sacrifícios é com as expiação dos pecados. Mas isto não ocorre em todas as religiões sacrificiais, existiam e existem sacrifícios para agradar ao(s) deus(es), para agrada-los a fim de conseguir as mais diversas coisas, um dos objetivos mais recorrentes é a fertilidade da terra, ou seja boas colheitas, isto no mundo antigo que era essencialmente “pagão”(povo da terra) ou seja viviam da terra, sem uma boa colheita o risco da fome era grande.

Existiam muitos outros motivos com certeza, mas a questão da colheita era certamente uma das mais comuns.

Porém na questão de Israel, o tópico central parece ter sido o pecado, e isto talvez aconteça pois de acordo com o primeiro testamento, o povo de Israel padecia quando pecava contra o Senhor. Então era importava realizar sacrifícios para aplacar sua ira.

Apesar da tradição iniciada com os profetas, que refutava os sacrifícios, estes ainda detinham a centralidade da vida religiosa dos judeus, por causa da figura do templo de Jerusalém.

Talvez com o que vimos até aqui, dê para entender por que esta alusão ao sacrifício, ou seja de Deus enviar seu próprio filho como cordeira para tirar os pecados do mundo.

Mas ainda resta uma grande pergunta, que pecados? O que é pecado?

“Pecado é tudo aquilo que é contra a vontade de deus”, dirão alguns. Porém esta resposta não esclarece nada. Afinal o que é “ser contra a vontade de deus”?

Na história ocidental, a quantidade de abusos cometidos em nome de uma “vontade de deus”, é monumental. Por que isto? As cruzadas, pessoas acusadas de bruxaria queimadas, até escravidão foi pela “vontade de deus”, isto para citar apenas algumas coisinhas.

A pergunta a ser feita é vontade de que deus. Então saberemos o que é pecado.

Já falamos anteriormente sobre os “rolezinhos” nos shopping centers, onde jovens da periferia organizando-se pelas mídias sociais, marcaram encontro para dar um passeio nos templos do consumo. Passeio que foi reprimido com pesado aparato policial, apesar destes jovens não estarem roubando nem vandalizando, apenas querendo viver o sonho do consumo do mundo que hoje faz sucesso nas letras da FUNK da Ostentação.

Agora jovens do Rio de Janeiro em apoio aos de São Paulo, também organizaram seus rolezinhos e da mesma forma foram reprimidos.

Isto acontece, pois eles “pecaram”.

Sim eles pecaram contra o deus capital, cujos “ungidos” são os únicos que tem direito a passear pelos átrios de seus templos.

Estou delirando?

Pois fiquei muito triste em ver uma conhecida, que frequenta uma igreja que se afirma cristã, dizer que para acabar com o “absurdo” dos rolezinhos, deveria-se aplicar o código de Hamurabi, numa clara referencia a lei do Talião ou seja “Olho por Olho, Dente por Dente”. Obviamente em sua subjetividade estes jovens, os que fazem os rolezinhos, não tem direito de estar lá e por isto deveriam ser repelidos com violência. Porém se aplicada a lei do Talião, o que se poderia ter é;

Se os jovens da periferia não podem andar pelos Shoppings, então a dita “classe média” e alta não tem direito de andar pela periferia, ou seja poderiam sofrer a mesma repressão violenta.

O problema desta mulher fazer esta afirmação é uma questão de fé, a igreja que ela frequenta é de classe média e alta, onde eles fazem programas de “assistência” com creches para aliviar suas consciências, mas os pobres tem que ficar em seus lugares. É o deus do status social.

Mas nesta passagem, o que podemos ver é que João batiza pessoas para que estas conheçam a Jesus, e tendo o conhecido o sigam. Ele não batiza pessoas para que estas tenham status social, sucesso, ou para que tenham alívio de suas consciências, mas para que Jesus seja conhecido e quando as pessoas o encontram, elas poderem então segui-lo.

Este é então o papel da igreja, batizar com água para que Jesus seja conhecido e então as pessoas possam encontra-lo e segui-lo. E segui-lo nesta mensagem leva a perguntar onde ele mora. Mas a resposta a esta pergunta não está nesta passagem, mas pode ser encontrada em Mateus 8;

“As raposas tem covis, os pássaros tem ninhos mas o filho do homem não tem onde reclinar sua cabeça”.

Já pensou os pobres pastores no templo?

31/12/2013

Depois que Jesus nasceu em Belém da Judéia, nos dias do rei Herodes, magos vindos do Oriente chegaram a Jerusalém e perguntaram: “Onde está o recém-nascido rei dos judeus? Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo”. 

Quando o rei Herodes ouviu isso, ficou perturbado, e com ele toda a Jerusalém.

Tendo reunido todos os chefes dos sacerdotes do povo e os mestres da lei, perguntou-lhes onde deveria nascer o Cristo.

E eles responderam: “Em Belém da Judéia; pois assim escreveu o profeta:

‘Mas tu, Belém, da terra de Judá, de forma alguma és a menor entre as principais cidades de Judá; pois de ti virá o líder que, como pastor, conduzirá Israel, o meu povo’ “.

Então Herodes chamou os magos secretamente e informou-se com eles a respeito do tempo exato em que a estrela tinha aparecido.

Enviou-os a Belém e disse: “Vão informar-se com exatidão sobre o menino. Logo que o encontrarem, avisem-me, para que eu também vá adorá-lo”.

Depois de ouvirem o rei, eles seguiram o seu caminho, e a estrela que tinham visto no Oriente foi adiante deles, até que finalmente parou sobre o lugar onde estava o menino.

Quando tornaram a ver a estrela, encheram-se de júbilo.

Ao entrarem na casa, viram o menino com Maria, sua mãe, e, prostrando-se, o adoraram. Então abriram os seus tesouros e lhe deram presentes: ouro, incenso e mirra.

E, tendo sido advertidos em sonho para não voltarem a Herodes, retornaram a sua terra por outro caminho.

Mateus 2:1-12

 

Você alguma vez se perguntou de onde surgiram estes tais magos?

Fiz esta pergunta diversas vezes e fui encontrando também diversas respostas. A mais legal até agora eu vi em um filme.

Tradicionalmente o que temos são os 3 reis magos, mas neste filme há um quarto, este não chegou a tempo de ver o menino Jesus e passou a vida toda peregrinando atrás do messias.

Ele havia levado presentes, eram gemas valiosas que pretendia entregar a Jesus, mas durante sua caminhada em busca do messias, ele se defronta com várias situações que o prendem e ele acaba dispendendo seu tempo e usando as gemas para ajudar pessoas, mais de 30 anos são gastos em sua jornada e quando finalmente ele chega a Jesus, este já havia sido crucificado e morto.

Então o mago diz, “falhei em minha missão, não encontrei o messias”.

Mas Jesus lhe aparece dizendo, “não você não falhou, você me encontrou durante toda sua vida.

Trata-se de uma história muito tocante acho até que uma das mais lindas fábulas de natal que já vi.

Mas a pergunta ainda fica, por que aparecem os magos em nosso presépio? Por que Mateus coloca estas figuras em sua descrição do advento?

Vejamos, talvez o foco nem esteja exatamente nos magos mas em Herodes.

Herodes tinha que ficar sabendo que a profecia estava para se cumprir. Com certeza, deus nem nenhuma anjo daria esta notícia para ele, nem seus “oráculos” poderiam ter o poder de fazer esta previsão. Em ambos os casos Mateus estaria dando poder ao mal.

Herodes fica sabendo então através dos “reis magos”, que inadvertidamente vão procura-lo para saber onde estaria o “rei dos judeus”.

Obviamente Herodes não fica nada satisfeito, afinal o rei dos Judeus era ele. Então ele tinha que dar um jeito neste tal rei. Mas ele tenta usar de artimanha, pedindo ao magos que o informe quando o encontrarem, para que ele possa também adorar o novo rei. Mas os magos são advertidos e voltam por outro caminho.

Muito bem, esta contraposição entre Herodes e Jesus, precisava ser exposta. Jesus era o messias e portanto o rei dos judeus. Mas como fazer isto? Se por um lado Herodes não poderia ter acesso direto a informações “divinas”, por outro lado Herodes era o rei, ou seja não seria qualquer uma a ter acesso a ele. Talvez por isto os magos. Estas figuras que em nosso presépio destoam totalmente, afinal o que temos é uma figura não apenas de simplicidade, mas até pode-se dizer de miséria. Uma criança usando como berço um cocho onde se coloca o alimento para os animais, pastores pobres e animais ao redor da criança e seus pais. E no meio disto tudo figuras vestidas luxuosamente e trazendo presentes caros.

Temos um paradoxo, para informantes ainda que bem intencionados tenham acesso ao palácio de Herodes, acaba-se por inserir figuras “distintas” em um cenário que não lhes cabe.

Podemos ver aqui um problema de ACESSO.

O mesmo que foi vivido em São Paulo neste natal, o “problema” dos ROLEZINHOS nos shoppings centers.

O que aconteceu foi que jovens pobres da periferia começaram a marcar via redes sociais estes “rolezinhos”. Então de uma hora para outra centenas destes pobres da periferia apareciam andando pelos corredores do shopping. Não para roubar ou vandalizar, apenas para dar um “rolezinho”.

Isto tudo começa com o tal FUNK DA OSTENTAÇÃO, modalidade que nasce na baixada santista e faz apologia a uma vida de luxo. Roupas e tênis de gripe, joias, carrões, enfim tudo que sempre se viu nas novelas da televisão. A diferença é nos clipes quem aparece OSTENTANDO tudo isto não são os ricaços dos bairros nobres, mas jovens com todo o jeitão e cara de pobres da periferia. Estes jovens deixam de ser espectadores do luxo alheio e passam a ser os protagonistas desta vida nababesca.

Ao contrário dos Funks PROIBIDOS, aqueles que fazem apologia ao crime e drogas, este foi chamado até de FUNK DO BEM.

Mas quando estes jovens resolvem ir viver este “sonho”, ainda que somente de forma visual, ao estarem em grupos dentro dos templos do consumo e olhando seus objetos de desejo, tentando sair da virtualidade dos clips para viver ainda que imaginariamente este mundo de fantasia, ai a coisa pega. Os lojistas fecham suas lojas e os clientes habituais fogem com medo daquela horda de pobres e feios. Então a polícia e acionada para prender alguns e impedir a entrada de outros.

A coisa destoa, o lugar deles não é lá. Eles podem sonhar com este consumo, mas não devem nem tentar botar seus pés onde ele acontece. Seria o mesmo que ao invés dos magos, Mateus tivesse colocado os pastores pobres para irem perguntar no palácio de Herodes onde está rei dos judeus.

O sistema que construímos, que é o palácio de Herodes, não é para todos, não é para qualquer um.

Nunca todos poderão participar do ideal de luxo e ostentação que nos é vendido diariamente. Sim nunca, isto por vários motivos entre eles porque para haver um muito para um precisa haver pouco para muitos, muito pouco para muitos outros e nada para uma maioria ainda mais ampla. Isto se traduz na exploração não somente na exploração do trabalho, mas na escassez de recursos naturais. Apesar de estar explorando o planeta além da sua capacidade de renovação, ainda assim esta noite mais de 1 bilhão de pessoas vão dormir sem ter comido nada. E mesmo assim 1/3 de todo alimento produzido vai para o lixo sem sequer ter sido provado.

Trata-se de uma ostentação diabólica. E se nem na questão alimentar todos podem ser atendidos que dirá do resto dos “sonhos de consumo”? Ou outros direitos fundamentais das pessoas teoricamente garantidos tanto pela declaração dos direitos humanos, tais como moradia, transporte, educação, saúde e pasmem LAZER!

Mas se por um lado no evangelho a entrada no palácio é de acesso restrito, na manjedoura todos são convidados. Os pobres, os animais e até os magos. Cada um traz de si o que pode para adorar ao rei dos reis. Não há diferença entre eles, talvez na forma pela qual chegaram, mas ali não. Se os magos são avisados por estudos astronômicos ou astrológicos, os pobres o são por legiões de anjos em coro, os animais bem, estes sempre estiveram ali. Maria e José os portadores, aqueles que carregam o rei, vem de uma jornada dura e árida.

Enfim, de formas diferentes todos chegam, também de forma diferente todos adoram. Mas entre eles não há mais diferença. Os bebês sorriem ou não para qualquer um independente se humano ou não, independente da classe social, raça, ou nível cultural. Acredito que o menino Jesus deve ter dado belos sorrisos a todos, e se Herodes estivesse ali, até para ele o bebê poderia sorrir. Mas Herodes iria mata-lo, pois seu desejo era manter seu poder, manter a separação para assim manter sua OSTENTAÇÃO.

Assim o que temos do sistema que criamos é a sedução da OSTENTAÇÃO, mas o chamado do Senhor é para simplicidade e comunhão.

Os ricos magos oferecem seus dons.

Os pobres pastores a sua devoção.

O pais, o cuidado.

Os animais a eles e a todos, dão até a sua carne.

Jesus oferece seus dons, devoção, cuidado e por fim a sua carne e seu sangue.

Me parece que a mensagem é clara, e o aviso é urgente.

Podemos como Herodes tentar matar Jesus, ou aceitar o convite do Senhor, para ter mais cuidado com o próximo e a criação, oferecer nossos dons e devoção para este cuidado. Para assim não termos nossa carne tomada pela própria ganância.

Alegria! O Senhor seja convosco!

A vida podia ser mais simples e fácil.

19/12/2013

Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Que estando Maria, sua mãe, desposada com José, antes de se ajuntarem, achou-se ter concebido do Espírito Santo.
Então José, seu marido, como era justo, e a não queria infamar, intentou deixá-la secretamente.
E, projetando ele isto, eis que em sonho lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo;
E dará à luz um filho e chamarás o seu nome JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados.
Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor, pelo profeta, que diz;
Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, E chamá-lo-ão pelo nome de EMANUEL, Que traduzido é: Deus conosco.
E José, despertando do sono, fez como o anjo do Senhor lhe ordenara, e recebeu a sua mulher;
E não a conheceu até que deu à luz seu filho, o primogênito; e pôs-lhe por nome Jesus.
Mateus 1:18-25

Muitas vezes nossas bocas são rápidas em falar do outro, e nossas mentes ágeis em imaginar o erro deste ou daquele. A culpa sempre é do outro, como se costuma dizer, “O outro é o diabo”.

Desde crianças quando aprontamos alguma coisa, vamos logo dizendo “eu fiz isto porque fulano fez aquilo”. Este fulano quando muito pequenos em geral é um irmãozinho ou irmãzinha. Mas nós crescemos e continuamos com a mesma “defesa”. Afinal a melhor defesa é o ataque.

E pior que isto não deixa de ser uma verdade, em nosso meio para nos defender muitas vezes precisamos ficar “imaginando” as ações do outro, o que está pensando, falando ou fazendo. E muitas vezes desta imaginação é que as coisas passam a acontecer, para o bem ou para o mal, e bem e mal também vão depender de quem os está pensando. Enfim conseguimos complicar muito nossas próprias vidas.

Mas neste trecho do evangelho a proposta parece ser outra.

Para os católicos romanos, José é São José, santo protetor da família, no entanto José aparece muito pouco nos evangelhos, aliás se pensarmos em um presépio, aquela montagem de estatuetas criada por São Francisco de Assis, para ilustrar o nascimento do Senhor para as pessoas simples que ele pastoreava, logo imaginamos;

Jesus na manjedoura – um tipo de cocho para alimentar os animais.

Maria – a mãe de Jesus.

Os reis magos.

Os pastores.

Os animais e …. José!

José faz sua última aparição quando Jesus ainda um menino é levado a Jerusalém para ser apresentado no templo, como mandava a tradição judaica, depois disto ele some de cena, Maria acompanha o ministério de seu filho até a sua crucificação e depois, mas de José não se tem mais palavra alguma.

E mesmo neste trecho do evangelho, o que se pode imaginar?

Primeiro José ao saber que sua noiva estava grávida, sem que ele a tivesse “conhecido”, ou seja sem que eles tido contato, bom acho que já deu para entender né?

Qual a reação dele?

Qual seria a minha reação?

Provavelmente eu iria desfazer o noivado, oras bolas.

Mas José não faz isto, ele planeja fugir em segredo. Por que isto? Por que o evangelho chama isto de justiça? Afinal está escrito; “ Então José, seu marido, como era justo…”

Para nossa realidade diríamos; “Então José, seu marido, como era cagão…”

Mas o evangelho o trata como justo, pois naqueles tempos o castigo para a mulher adúltera seria o apedrejamento! Então podemos imaginar que José não queria este destino para Maria, ele fugiria e levaria sobre ele a suspeita que havia feito um filho em Maria e dado o fora. Mesmo ela tendo traído ele com outro.

José apesar de traído não concordava com a pena de morte para Maria, ele se sacrificaria, atrairia as más línguas sobre ele para que a ela não fosse imputada o apedrejamento. Por isto o evangelho diz “justo”.

Trata-se de uma noção totalmente diferente de justiça, pois via de regra na sociedade que construímos justiça tem outras conotações.

Vocês talvez se lembrem da grande festa que aconteceu quando a justiça condenou o casal Nardoni, houve nas ruas explosão de fogos de artifício, e as pessoas pulavam de alegria por todos os cantos, e na mídia se falava em justiça. Mas que justiça foi esta? Isabela continuou morta, sua mãe sem sua filha, os irmãos sem a irmã mais velha. Mas o casal assassino foi condenado a pagar por seu crime. Então esta justiça chama-se vingança.

Também temos recentemente o caso do mensalão onde muitos figurões finalmente foram condenados, chamamos isto de justiça. Mesmo tendo figuras que notoriamente enriqueceram com a maracutaia enquanto outras fizeram parte disto sem ter tido seu patrimônio em nada acrescido, que foi o caso de José Genuino. Mas a justiça tem que ser igual para todos. Ela é?

Somos rápidos em condenar Genuíno da mesma forma que todos os demais, pois da forma que a coisa nós é “vendida”.

Não faço aqui uma defesa de José Genuino, e muito menos do casal Nardoni, apenas me pergunto se Deus chamaria isto de justiça?

Mas como a notícias foi dada para José? Pode ser que alguma linguazinha ligeira, a levou a José, mas a língua de José longe de ser rápida para condenar a adultera Maria, pesou antes as consequências. Antes de, ou ao invés de ficar imaginando coisas, como as razões pelas quais Maria o havia traído ou as circunstâncias, José conteve seu impeto de homem traído e pensou no destino de Maria e da criança que estava em seu ventre. E isto era provavelmente uma situação impensável para aquela sociedade, afinal mulheres e crianças não valiam absolutamente nada.

Mas ai podemos ver a justiça de Deus, ela tem olhos para os fracos.

Antes mesmo de seu nascimento, Jesus enfrenta a égide da violência, mas Deus escolhe para ser o “padrasto” de seu Filho o homem correto, um homem JUSTO.

Uma pessoa aparentemente “low profile”, José não tem voz, José protege e aceita, e isto é muito interessante! Afinal antes mesmo de ser visitado pelo anjo, antes de ouvir as palavras que o fariam aceitar o filho de Maria, José os protege.

E agora que nos aproximamos do grande evento, o nascimento de Nosso Senhor, Ele nos chama pelo exemplo de José, a protege-lo, pois ele está chegando!

Mas como? (Nós nos peguntamos)

Afinal sempre precisamos de uma “receita de bolo”, porém Deus nos dá apenas pistas, e nestas poucas linhas temos algumas ou muitas, tudo depende de cada um de nós. Para olharmos este exemplo, um homem simples, a quem se entrega aos cuidados. Um homem JUSTO, que ao invés de olhar sua ferida, pensa antes na vida de Maria.

Parece tão simples, mas é uma grande utopia que o evangelho nos propõe aqui, como seria um mundo onde cada um pensasse antes no outro? Parece simples mas não é, mesmo assim é uma pequena pista que Deus nos dá, para o grande reino que Ele nos propõe.

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